O livro pode ter sido lançado há quase de 6 meses, mas Correio Feminino tem méritos para ser comentado. Além de uma coletânea de artigos de jornal de Clarice Lispector, a obra mostra um outro lado da autora que muita gente não conhece.
Clarice ingressou na imprensa em 1940, publicando contos, traduções e entrevistas na revista Vamos Ler! Isso chamou a atenção de Rubem Braga, que, em 1952, a convidou para escrever a página feminina de Comício. A princípio, é uma atividade impensável para a autora, conhecida por ter textos muito difíceis e muito ligada à subjetividade. Porém, ela aceitou o desafio. “Entre Mulheres” era o nome de sua coluna, assinada sob o heterônimo Tereza Quadros. Era para se proteger de críticas que poderia receber por publicar coisas tão longe da sua realidade literária.
O jornal não durou mais de 6 meses, mas não parou por aí. Com o nome de Helen Palmer, passou a escrever para o Correio da Manhã, entre 1959 e 1961, na coluna homônima ao livro recém lançado. Ao mesmo tempo, era a atriz e manequim Ilka Soares, em “Só para mulheres”, publicada no Diário da Noite. Além de textos das três colunistas, Correio feminino ainda conta com crônicas e contos inéditos de Clarice Lispector.
O conteúdo varia desde dicas de beleza, receitas caseiras, até conselhos situações do dia-a-dia e para conquistar um homem. Segundo Clarice, “mulher bonita é mulher feliz”. Organizada pela professora Aparecida Maria Nunes, a produção está divida em 5 partes: “Um retrato de mulher”, “Saber viver nos dias que correm”, “Retoques do destino”, “Aulas de sedução” e “Entre mulheres”.
É um livro que dá pra se interessar somente pela capa. À medida que os textos vão passando, o que se percebe é que a intenção de Clarice era muito mais que dar conselhos para as mulheres, mas fazê-las perguntar para si mesmas sobre quem elas são. Mesmo escritos há mais de 40 anos atrás, as críticas da autora são bastante atuais. No fundo, Tereza Quadros, Helen Palmer e Ilka Soares acabam provocando a mesma coisa que Clarice Lispector em seus romances e crônicas: uma reflexão profunda do que é ser mulher.
escrito por Marcela Maciel
O Saara começou em 1962, quando comerciantes do centro carioca resolveram se juntar e formar uma associação. Essa ganhou proporções e passou a englobar as ruas: Andradas, Buenos Aires, Alfândega e Praça da República.




Resolvi não fugir do campo das artes e mostrar um pouco do meu trabalho. Desde 2004, estudo os mitos e ritos, o que vem a intitular meu novo trabalho “Mitos, Ritos e Liberdade”.